É claro que a auto imagem é um aspecto do empoderamento. "Não tenho a aparência de uma modelo e não me interessa ter a aparência de uma "top model". " - disse Luciana. O importante é sentir-se atraente, usar roupas adequadas, cuidar de si mesma... A propósito, nós, mulheres com ST, muitas vezes temos dificuldade para encontrar roupas adequadas para nós. Em outros países existem setores de roupas "Petite" nas grandes lojas de departamentos. Mas no Brasil muitas vezes é difícil encontrar roupas que nos sirvam. Hoje existem campanhas publicitárias com modelos "plus size". Recentemente assisti pela TV a uma matéria sobre um concurso para eleger a "Miss Plus Size". Mas nós, mulheres "mignon", somos esquecidas pelas revistas femininas, pelas confecções de roupas e campanhas publicitárias. Está na hora de uma mudança! Já passou da hora!
01 dezembro 2016
É claro que a auto imagem é um aspecto do empoderamento. "Não tenho a aparência de uma modelo e não me interessa ter a aparência de uma "top model". " - disse Luciana. O importante é sentir-se atraente, usar roupas adequadas, cuidar de si mesma... A propósito, nós, mulheres com ST, muitas vezes temos dificuldade para encontrar roupas adequadas para nós. Em outros países existem setores de roupas "Petite" nas grandes lojas de departamentos. Mas no Brasil muitas vezes é difícil encontrar roupas que nos sirvam. Hoje existem campanhas publicitárias com modelos "plus size". Recentemente assisti pela TV a uma matéria sobre um concurso para eleger a "Miss Plus Size". Mas nós, mulheres "mignon", somos esquecidas pelas revistas femininas, pelas confecções de roupas e campanhas publicitárias. Está na hora de uma mudança! Já passou da hora!
29 novembro 2016
06 julho 2016
Meu marido me indicou matérias sobre a garota de programa curitibana Dafne anãzinha e Karina Lemos, modelo e atriz, considerada a “anã mais sexy do mundo”. Eu também assisti a um vídeo sobre a stripper Kat Hoffman, que é anã. Então fiquei com vontade de entrevistar Dafne. Achei que a nossa conversa seria proveitosa não só para nós duas, mas também para outras pessoas. Não tenho a intenção de fazer uma apologia da profissão de Dafne, mas respeito quem fez esta escolha. A minha intenção, é claro, é propor um debate sobre várias questões. Segue um resumo da nossa conversa, uma informal conversa entre duas baixinhas.
Patrícia – Dafne, você gostaria de falar um pouco sobre a sua história de vida? Nós duas sabemos que pessoas baixinhas sofrem preconceito. Como foi para você o processo de lidar com o preconceito?
Dafne – O preconceito para mim é coisa do passado. Este tipo de coisa me afetava, hoje não me afeta mais.
Patrícia – Como foi este processo para que você aprendesse a lidar com o preconceito?
Dafne – A gente passa por muitas situações difíceis. Depois que elas passam a gente começa a aprender. Quando nós somos jovens ligamos mais para o que os outros pensam, mas à medida que ficamos mais velhos isso passa a não nos afetar mais. Mas na adolescência isso foi bem forte.
Patrícia – Você é bem jovem. Que bom que você já está com esta cabeça! Sabe que só depois dos meus trinta anos eu comecei a melhorar?
Dafne – Eu também. Só depois dos meus vinte anos eu comecei a melhorar.
Patrícia – É, Dafne, com o tempo a gente vai aprendendo a não ligar para as opiniões dos outros. Eu cheguei a um ponto em que fico um pouco rebelde em relação às opiniões dos outros, em relação aos padrões de beleza… Fico zangada com certas pessoas preconceituosas. Eu estou trabalhando para chegar a um outro estágio, que seria realmente não ligar para o que os outros pensam, não ser afetada. Um terceiro estágio seria perceber que os preconceituosos têm as suas fragilidades e a partir daí sentir compaixão, amor por estas pessoas. E todo mundo sofre preconceito de alguma maneira, não é? Existe o estereótipo de que pessoas muito bonitas são burras, o que é claro que não corresponde à realidade. Pessoas que têm uma aparência “comum” podem acabar escutando justamente isso: “Você é comum!” E assim por diante…
Dafne – É… O preconceito incomoda todas as pessoas. As pessoas se sentem incomodadas, mas existem dois tipos de preconceito. Existe o preconceito de quem é ignorante, que não sabe o que está falando e o preconceito de quem sabe o que está falando e fala para humilhar. A pessoa tem um atributo, faz algo de diferente, especial e isto gera inveja, inveja da pessoa se destacar na vida por algum motivo.
Patrícia – É, inveja… Na nossa sociedade as pessoas são estimuladas a se destacar. Então quando alguém se destaca por algum motivo existem pessoas que colocam rótulos no outro.
Dafne – No meu caso, por exemplo… Eu coloco vídeos no YouTube. Aí uma pessoa assiste e pensa: esta anãzinha faz uma porção de coisas que eu que sou alta não faço, ela faz faculdade e não estou fazendo nada da vida… Então vou escrever coisas para deixá-la para baixo porque ela não pode ser melhor do que eu. Eu acho que é exatamente isso.
Patrícia – É uma mediocridade, infelizmente… Todo mundo tem o potencial de conquistar o seu lugar no mundo, mas enquanto a pessoa está perdendo o seu tempo com a inveja não vai chegar a lugar nenhum…
Dafne – Toda a minha vida eu me destaquei. Em todos os trabalhos que tive eu batia as metas primeiro, nunca chegava atrasada. Eu acho que as empresas contratam os deficientes físicos por causa da lei de inclusão, mas não porque querem contratar. Então eu ouvi comentários maldosos. Percebo que as empresas não estão preparadas para receber deficientes físicos e isto gera problemas psicológicos que eles vão carregar para a vida toda.
Patrícia – Eu fui a um encontro de um grupo de apoio para mulheres com Turner, em São Paulo. Lá falaram sobre o mercado de trabalho para deficientes e do trabalho que é feito junto aos empresários para que recebam deficientes em suas empresas, mas não sei se este trabalho é feito a contento.
Dafne – Pois é, o preconceito existe. Nos trabalhos pelos quais eu passei sempre me destaquei, mas nunca fui promovida. Então percebo que há preconceito. Provavelmente meus chefes pensavam: “Como vou promover uma anã? Será que vão obedecê-la por ela ser baixinha?”
Patrícia – Eu li um artigo sobre o preconceito contra baixinhos e através de pesquisas verificou-se que a maioria dos grandes executivos são altos. Mas o que importa é a postura da pessoa. Percebo que você tem autoconfiança, pois conseguiu entrar no mercado de trabalho. Para mim foi bastante difícil. Só consegui um emprego através de concurso público. E você quebrou este estereótipo de que uma garota de programa tem que ser alta, ter corpão…
Dafne – É verdade. Os meus clientes não procuram isso. Eles querem alguém com quem possam conversar. Eles querem desabafar, querem ser bem atendidos. Muitas garotas de programa que são bonitas, altas não atendem bem. Então existem clientes que me procuram porque pensam que por eu ser anã provavelmente sou diferente.
Patrícia – Acho muito legal você passar a mensagem de que uma mulher baixinha pode ser sexy. O que você acha que leva uma pessoa a ser sexy?
Dafne – A naturalidade, ser você mesmo.
Patrícia – Sim, claro! Eu assisti a um vídeo sobre a stripper Kat Hoffman. Ela é anã e o seu noivo apoia a sua decisão de ser uma “dançarina exótica”. Ela disse que para ser sexy é preciso ter personalidade, é preciso ter coração.
Bem, eu sei que você tem uma cabeça aberta em relação a sexo. Fale um pouco sobre a sua visão do sexo e dos homens. A gente sabe que existem homens de vários tipos. Você já conheceu homens que não valiam a pena?
Dafne – Sim, isso já aconteceu comigo. Já conheci cerca de vinte homens que faziam jogos psicológicos, que no começo são anjos e depois que percebem que a mulher está apaixonada a humilham. Homens que agem assim são psicopatas. Eles não conseguem se sentir bem se não humilham uma mulher. Acho que as mulheres devem se afastar deste tipo de homem o mais rápido possível. Hoje eu consigo identificar quem é psicopata e me afasto assim que posso. Existem aqueles que, além de sugar energia, sexo da mulher, querem sugar a parceira inclusive financeiramente. A Vanessa de Oliveira, que é garota de programa, escreveu um livro sobre psicopatas do coração. Ela escreveu sobre o relacionamento com o pai da filha dela, um relacionamento que durou anos. Na verdade estes homens são frágeis. Quando as mulheres que tiveram relacionamentos com este tipo de homem dão a volta por cima eles sempre precisam procurar outras mulheres para agir da mesma maneira. E existem mulheres psicopatas também. Estas pessoas procuram tirar proveito da carência do outro. Mas sabe que existem homens que tratam melhor uma garota de programa do que uma mulher que oferece sexo de graça? Certos homens pagam um pouco a mais, telefonam para perguntar como você está…
Patrícia – Eu li que você gosta bastante da sua profissão e que pretende conciliar esta atividade com a advocacia, se isto for possível. Eu sou advogada e, sem querer te desencorajar, as pessoas da área de Direito são preconceituosas, moralistas. Você convive com os estudantes de Direito e sabe disso, não é? É claro que não sou dona da verdade e posso estar errada. Você pode conseguir conciliar as duas atividades.
Dafne – É, eu sei que as pessoas da área do Direito são moralistas… Mas mesmo assim espero conciliar as duas atividades.
Patrícia – Faz algum tempo eu li uma matéria que levantou a seguinte polêmica: por um lado a profissão de garota de programa envolve riscos, inclusive existe o tráfico de pessoas. Mas existem pessoas que dizem que escolheram a profissão de forma consciente e sentem-se satisfeitas.
Dafne – É o meu caso. Eu escolhi porque quis, porque precisava de dinheiro e gosto de sexo. Ninguém me influenciou.
Muitas coisas aconteceram na vida de Dafne depois desta entrevista. Ela criou um novo canal no YouTube, lançou o livro "A Pequena Notável Dafne Anãzinha" e se casou.
Dafne e seu marido
Para saber mais:
https://delas.ig.com.br/amoresexo/2020-09-20/dafne-anazinha-conheca-a-historia-da-ex-garota-de-programa.html



