29 janeiro 2017

Gratidão

20:46 2 Comments



Estou me conscientizando de que tenho muito a agradecer. Sim, tenho Síndrome de Turner, e daí? Sou baixinha, não posso ter filhos, tenho osteoporose, mas não tenho outras doenças em decorrência da síndrome. É comum que mulheres com ST tenham problemas cardíacos, por exemplo. Ainda assim estou aqui. O aborto espontâneo devido à ST é muito comum, ocorrendo em mais de 90% dos casos. Ainda assim estou aqui. Também é comum que meninas com ST tenham dificuldades com a alimentação. Foi assim comigo. Os meus pais tiveram bastante trabalho para me alimentar quando eu era criança, pois eu era muito chata para comer. Ainda assim estou aqui. Mais: o meu parto foi difícil, pois eu estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Ainda assim estou aqui, e sem sequelas. Fiquei comovida quando li um pouquinho sobre a história do filósofo Alexandre Jolien. Reconhecido pelos seus ensaios e por ser um dos autores do livro “O Caminho da Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e um Psiquiatra sobre a Arte de Viver”, Jollien se viu desde cedo obrigado a conviver com a adversidade. Por causa de um estrangulamento no parto provocado pelo cordão umbilical ele sofre de incapacidade motora cerebral (IMC). (http://bonsfluidos.uol.com.br/noticias/entrevista/nietzsche-o-zen-e-o-bem.phtml#.WI1No1xpGAS) A sua história é tão parecida com a minha que eu não poderia ter deixado de me sensibilizar.

Nós, mulheres com ST, somos sobreviventes, somos guerreiras. O termo “guerreira” tem sido muito usado na internet, tem sido banalizado. Mas é inegável que somos guerreiras. Somos guerreiras porque estamos aqui, apesar de problemas de saúde que poderíamos ter ou temos. Somos guerreiras porque enfrentamos o preconceito. Somos guerreiras porque psicologicamente enfrentamos muitos desafios.

Por que acredito em Deus e sou grata a Ele? Bem, de alguma maneira a fé sempre esteve presente no meu coração. E pelos motivos que já mencionei eu poderia não estar aqui. Mas parece que a Vida me ama e me quer aqui, neste planeta azul. Também me lembro que em momentos difíceis senti uma energia cálida, confortante... Certa vez eu estava chorando de madrugada... Senti uma energia maravilhosa me envolvendo e adormeci. No dia seguinte meus olhos estavam inchados de tanto chorar, mas eu estava recomeçando. Em outra ocasião eu estava pensando sobre meus problemas... Chorei muito... Naquela noite eu senti que a minha avó estava por perto, me consolando. Em outra noite eu estava sozinha e triste em uma cidade estranha. Pedi uma bíblia emprestada e li trechos do evangelho. Eu me acalmei, senti a presença abençoada de amigos espirituais e acabei adormecendo.

Outra noite de tristeza... Adormeci... No dia seguinte eu estava me sentindo bem... Passei por uma livraria esotérica. Eu não queria entrar lá, mas algo me "puxou" para aquele lugar. Eu abri um livro e li que quando estamos nos sentindo felizes sem motivo os anjos estão brincando conosco. E quando encontramos alguém "por acaso" e isto é uma feliz "coincidência" os anjos estão por perto. Ao caminhar pelas ruas senti uma energia muito leve, muito pura, que não consigo descrever. Talvez eu estivesse aspirando os fluídos angélicos. Eu me sentia como se estivesse flutuando... As pessoas com as quais me encontrei durante aquela tarde sorriram para mim... Até uma bibliotecária, que geralmente era bastante séria, sorriu. Sim, acho que um anjo estava perto de mim durante aquele dia.

A mensagem que quero transmitir é que não estamos sozinhos, não estamos desamparados. O amor, a energia da Vida nunca nos desampara. Somos muito amados! Este é o ponto ao qual eu queria chegar. Durante muito tempo eu não tinha uma relação saudável com Deus. Eu temia a Deus. Mas Deus é amor e nunca me abandonou. Lembro-me da canção de George Harrison, "My sweet Lord". Sim, Deus é doce, é puro amor. Também me lembro da história "Pegadas na areia". Quando achamos que Deus pode ter nos abandonado, Ele na verdade está nos carregando em seus braços. Isto é muito verdadeiro! Algumas pessoas podem estar se perguntando: "E quanto às dificuldades da vida?" Como disse o mestre Osho, "tudo está certo no Universo, há muitas coisas que não compreendemos". Até os problemas que enfrentamos são manifestações do amor de Deus. Quem seríamos nós se não existissem dificuldades? Espíritos sem substância e fracos, certamente. Repetindo o que disse o mestre Osho, tudo está certo no Universo, tudo contribui para a nossa evolução. Escrevi este texto como uma pequena demonstração de gratidão ao Universo, a Deus, à Vida! Muita paz, amor e luz para todos nós!

Indico a leitura deste texto: MENSAGEM DOS ANJOS - AMOR
(http://www.decoracaoacoracao.blog.br/2017/01/mensagem-dos-anjos-amor.html)

01 janeiro 2017

Diário de viagem – IX Turner Syndrome International Conference, em Cancun - 16 de novembro

21:38 0 Comments


Da esquerda para a direita: Deborah (Debby), Wan  He Liu, Vera Freitas, Anne

Eu e minha amiga Vera fomos até o hotel onde seria realizada a Conferência Internacional sobre Síndrome de Turner, em Cancun. Adorei ter conhecido as americanas Anne e sua amiga, Deborah (Debby). Anne é extrovertida, alegre e estava tomando vinho branco. Ela veio nos cumprimentar e Vera perguntou: “Está escrito nas nossas testas que temos ST?” Anne respondeu: “Está escrito na baixa estatura.” (Sorriso) Anne não é baixinha, os seus pais são bem altos.

Na mesma ocasião também conhecemos um grupo de colombianas e equatorianas. As equatorianas lamentaram que nossa amiga, Dra. Bernarda, não estava lá. Foi muito bom olhar para elas e pensar: “Olha, esta aí a minha turma!” É, não está escrito nas nossas testas que temos Turner, mas mulheres baixinhas em um hotel onde seria realizada uma conferência sobre ST… provavelmente são portadoras de Turner. Somos irmãs, sobreviventes, guerreiras!

No dia seguinte conhecemos Luciana Martins Alves, uma brasileira que foi convidada para ser palestrante no evento. Ela ficou muito contente ao nos conhecer. Nós três fomos as únicas brasileiras que participaram da Conferência.

No último dia da Conferência eu tomei uma taça de vinho branco, olhando para o lindo mar azul do Caribe. Eu me senti como a personagem principal do filme Shirley Valentine. (Sorriso)

Antes do encerramento do evento pedi permissão para cantar "Soul Deep", da cantora Lisa Stanfield. É, o meu nome deveria ser Patrícia Aparecida! (Risadas)