A cultura transmite a imagem de pessoas altas como sendo poderosas, fortes. É claro que esta imagem não corresponde necessariamente à verdade. Eu sou baixinha, e daí? Eu me considero poderosa e por motivos mais sólidos.
Melanie Gaydos, modelo, artista e atriz, é portadora de uma rara condição genética chamada displasia ectodérmica, síndrome que afeta principalmente os cabelos, pelos, dentes e unhas. Ela nos ofereceu uma lição de vida ao declarar que não trocaria as suas experiências de vida por outras, pois são as suas experiências, através das quais aprendeu muito. Assim como Melanie, eu valorizo tudo o que vivi.
Eu sei que muitas pessoas que correspondem aos “padrões de beleza” transmitidos pela cultura têm uma vulnerabilidade, pois teriam dificuldade para lidar com a perda da “beleza”. E a “beleza” é transitória. Eu me sinto poderosa porque tenho esta consciência, porque já precisei lidar com o preconceito e isso me tornou mais forte. Sou poderosa, pois o fato de que sou uma pessoa “diferente” faz com que eu tenha um outro olhar em relação às pessoas que não correspondem aos “padrões”. Eu me conecto com elas, as respeito e as admiro.
Acredito que a raiz do preconceito é a necessidade de negar a condição humana. Afinal, somos imperfeitos e estamos sujeitos a adoecer, ter uma deficiência, envelhecer e morrer. É claro que desejar um corpo “perfeito”, uma realidade “perfeita”, que se enquadre em uma visão de mundo limitada e preconceituosa, é ilusório. O simples fato de ter esta consciência me torna uma pessoa poderosa.
Sou poderosa, pois sei que apesar de ser baixinha sou um mulherão, sou uma grande mulher. Nós, garotas e mulheres com Síndrome de Turner, somos mulheres poderosas!
