03 outubro 2014

Força interior e autoestima

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Recentemente, eu assisti ao filme “Histórias Cruzadas”. É um ótimo filme e trata da história de uma jornalista branca, Skeeter, que escreve sobre várias empregadas domésticas negras. As personagens são pessoas amorosas e fortes, admiráveis. É, a força, a autoestima podem brotar do sofrimento, como flores que surgiram entre as pedras, desafiando as adversidades.

As cenas que mais me marcaram foram momentos em que mulheres negras procuram alimentar a autoestima das filhas de seus patrões. Em uma destas cenas Aibileen repete várias vezes para uma menininha: “Você é inteligente, você é gentil, você é importante...” Em outra cena, a jovem Skeeter estava se sentindo rejeitada, pois nenhum rapaz a tinha convidado para o baile de formatura. Ela disse que os rapazes a consideravam feia. Então, Constantine falou alguma coisa mais ou menos assim: “Você vai deixar que idiotas façam você se sentir mal? Você está escutando o que eu estou dizendo? Você vai deixar que idiotas tenham alguma influência sobre como você se sente?”  

Esta é a relação entre força interior e autoestima: contestar as opiniões dos outros e os padrões de beleza da sociedade, perceber que certas pessoas falam besteiras... Afinal todos somos lindos, cada um a sua maneira. E existem coisas muito mais importantes na vida do que ter a aparência de uma modelo, não é verdade? Além disso, as pessoas que cometem bullying fazem isso porque têm suas fraquezas, sua negatividade e querem descontar em alguém. 


Bem, enquanto eu estava assistindo ao filme me lembrei de algo que aconteceu há muitos anos... Eu estava passando por uma crise de adolescente e me queixei para a Lígia, uma moça negra que trabalhava na casa da minha mãe: “Nenhum rapaz repara em mim...” Ela procurou me animar e disse que conhecia um jovem que se apaixonaria por mim. Eu duvidei... No dia do meu aniversário ela me entregou um lindo e longo poema:

“Um dia o destino me apresentou uma menina
meiga,
dócil,
bonita,
uma pequena muito querida.
Sabe como eu descobri isso?
Invadindo a sua privacidade,
mergulhando no seu mundo,
prestando atenção em seus livros e músicas.
O seu mundo era só seu,
faltava muito amor.
Sim, muito amor próprio.
“Ninguém gosta de mim,
ninguém me procura.
Eu sou baixinha, ridícula”.
Estas são as suas palavras.
Pati, a beleza maior
não é a do rosto,
não é a do corpo,
e sim a da tua alma.

Você tem um interior lindo.
Você é uma menina maravilhosa.
O mundo precisa de você.
Você não tem o direito de se fechar.
Ninguém jamais ama
alguém que não se ama.
Ninguém ama alguém
a quem não conhece.
Você tem o mundo a seus pés.
Ninguém é perfeito,
mas você é completa.
Olhe ao teu redor,
abra o teu coraçãozinho,
exponha esta pessoa maravilhosa que você é.
Deixe o sol entrar na sua janela,
misture-se às estrelas
e você verá que é tão bela quanto elas.
Você é um tesouro.
Cuidado.
Não se deixe perder.
A vida é tão confusa.
Não deixe que nada engane você.

Seus olhos,
seus lábios,
suas mãos,
sua mente
podem ajudar a construir
um mundo bem melhor.
Por que?
Porque você existe.
Você vale mais do que
tudo que se pode comprar,
vale mais do que o sol,
vale mais do que o mar,
muito mais do que as estrelas
porque você sabe amar,
por que você pode amar.
Que bom que existe você!

Pati, talvez você ache uma grande besteira
todas estas palavras,
mas você existe
e isto faz muita gente feliz.
Está na hora de você começar a viver.
Há um mundo lindo aí fora esperando por você!
Abra as portas para a felicidade
e você verá que vale a pena lutar.
Existe um espaço todo seu.
Lute por ele!
Você verá que vale a pena!

Feliz Aniversário!

Lígia

Na época, eu não tinha maturidade para alcançar a sabedoria das palavras da Lígia. Eu também não consegui interiorizar as palavras encorajadoras dos meus pais ou de amigas. Eu precisei viver, me perdi para depois me encontrar e ainda estou me procurando! (Sorriso) É verdade que a experiência vale muito, muito mais do que palavras. Muitas vezes as pessoas precisam errar para aprender... Corinne Bailey Rae compôs uma canção para sua mãe, "Butterfly". Um trecho da canção diz o seguinte:"O que você costumava dizer? Cometa seus próprios erros e garanta que você continuará a mesma".

É difícil cometer erros, amadurecer e continuar com a alma intacta? Com certeza. Mas sempre é possível voltar a florescer. A primavera sempre vem, não é verdade? E a árvore que voltou a florir em outra primavera já não é a mesma do ano anterior.  Heráclito disse que nós não podemos entrar duas vezes no mesmo rio. Ele tinha razão. A água no rio hoje é completamente diferente da água na qual nós tomamos banho ontem. Ainda é o mesmo rio. Quando Confúcio estava na margem de um rio assistindo seu fluxo, ele disse: "Oh, flui assim dia e noite, sem fim".
(Fonte: http://www.viverconsciente.com/textos/impermanencia.htm) Nós mudamos, sim. Assim é a vida, é a lei da impermanência, da qual falam os budistas. Mas a nossa essência permanece a mesma, é claro. 


Espero que estas palavras possam ajudar algumas jovens que hoje enfrentam crises da adolescência. É claro que pretendo escrever mais sobre o tema. Como escrevia a Gisela Rao, “feliz já”!

02 outubro 2014

Ser diferente é normal, ser diferente é bom!

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Li um artigo sobre o filme “Colegas”, no qual o autor criticou a obra pelo fato de que mostra pessoas com Síndrome de Down roubando. É claro que eu não discordo, mas por outro lado a mensagem do filme é muito interessante: ser diferente é normal, ser diferente é bom! Inclusive, o figurino e a trilha sonora do filme em alguns momentos remetem a esta mensagem. Em um trecho do filme, os atores com Síndrome de Down vestem fantasias e músicas do Raul Seixas não poderiam faltar!

Eu acharia muito interessantes filmes ou peças de teatro que tratassem de histórias de superação de pessoas com Síndrome de Down. Basta uma simples pesquisa no Google e ficamos sabendo de rapazes e moças com Down que terminaram a faculdade ou escreveram livros. Mas o filme “Colegas” tem o seu valor, a sua mensagem contestadora é muito importante!

Lembrei-me da Elke Maravilha e da Nina Hagen, ambas “malucas beleza”, maravilhosas! Quem disse que todos nós devemos seguir os padrões que a sociedade tenta nos impor? Quem disse que este é o único caminho para a felicidade? A ilusória segurança pode até parecer felicidade, mas o mestre Osho inclusive disse que procurar seguir este caminho não traz a verdadeira alegria.

Vejamos o que Osho disse sobre a loucura:

“O mundo tem conhecido pessoas tão bonitas, tão loucas! Na verdade, todas as grandes pessoas no mundo foram um pouco loucas – aos olhos da multidão. Suas loucuras tiveram expressão porque elas não eram miseráveis, elas não tinham medo da morte, elas não estavam preocupadas com o trivial. Elas estavam vivendo cada momento com totalidade e intensidade e, por causa dessa totalidade suas vidas se tornaram uma linda flor – elas estavam cheias de fragrância, de amor, de vida e de riso.

Mas isso certamente fere milhões de pessoas que estão ao seu redor. Elas não podem aceitar a ideia de que você tenha alcançado alguma coisa que elas perderam; elas tentarão de todas as maneiras torná-lo infeliz. A condenação delas nada mais é do que o esforço em torna-lo infeliz, para destruir sua dança,  tirar a sua alegria – de medo que você possa deixar o rebanho.


É preciso reunir coragem e, se as pessoas disserem que você é louco,  divirta-se com a ideia.

Diga a elas: “Você está certo, neste mundo somente pessoas loucas podem ser alegres e felizes. Eu optei pela loucura juntamente com a alegria, com o êxtase, com a dança; você optou pela sanidade com a angústia, com o inferno – nossas opções são diferentes. Continue são e pareça miserável; deixe-me só na minha loucura. Não se sinta ofendido. Eu não estou me sentindo ofendido por todos vocês – tantas pessoas sãs, equilibradas no mundo e eu não estou me sentindo ofendido”.

É apenas uma questão de pouco tempo... Breve, uma vez que elas o tenham aceitado como louco, elas não o perturbarão mais; então você pode se revelar à plena luz com seu ser original – você pode abandonar todas as suas falsidades”.


Osho também ensina que é bobagem querer ser "adequado". Segundo o mestre, este desejo tem relação com o ego. É verdade... Afinal, o Grande Espírito se importa se nós somos "adequados"? É claro que não!

É importante ainda lembrar que todos nós somos únicos, incomparáveis. Somos obras de arte do Criador! Então por que querer ser semelhante aos outros? Para sentir que fazemos parte de um grupo? A atitude de tentar se adaptar não é necessária para que tenhamos a sensação de pertencimento, pois nós podemos assumir que somos diferentes de qualquer outra pessoa e ao mesmo sentir que fazemos parte da grande fraternidade humana. E o amor é tudo, tudo é amor, não é verdade?

Amigo leitor, vou finalizar relembrando a canção “Balada do louco”: “Dizem que sou louco por pensar assim / Se eu sou muito louco por eu ser feliz / Mas louco é quem me diz / E não é feliz, não é feliz...” É isso aí!

Para uma pequena grande mulher, Malala Yousafzai (Reflexões sobre o mito da beleza)

22:59 0 Comments



Eu soube que, apesar da sua imensa coragem, você está passando pelas dificuldades típicas da adolescência. O seu corpo está mudando e não obedece à sua vontade. Você gostaria de ser mais alta, chegou a rezar para crescer um pouco mais. Eu também já passei por isso, Malala. Certa vez eu me olhei no espelho e de repente percebi a minha beleza.  Na época eu era uma linda criança, tinha uma pele perfeita, belos olhos verdes e dentes que brilhavam como pérolas. Mas logo depois uma nuvem turvou o meu olhar. Eu não sentia que tinha o direito de me considerar bonita. Eu era menor do que a maioria das crianças da mesma idade e hoje, já adulta, sou um pouco mais baixa do que você. Tenho 1, 45 m de altura. E daí? A minha baixa estatura não atrapalhou em nada a minha vida. A insegurança certamente fez com que as coisas caminhassem mais devagar para mim, mas o fato de eu ser baixinha não foi um obstáculo na minha busca pela felicidade.

E você é uma linda garota, é uma bela pessoa! Sei que você tem coisas mais importantes com as quais se preocupar, além da aparência!

Lembrei da história de Eleanor Roosevelt. Ela não foi qualquer primeira-dama, foi uma importante e compassiva líder. A Sra. Roosevelt foi ativista dos direitos humanos e Embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do presidente Harry Truman. Entretanto, esta grande mulher passou a vida lamentando não ser tão “bonita” quanto sua mãe. Tomando emprestadas as palavras de Gloria Steinem, esta atitude não foi digna da sua vida. E não seria digna da minha vida ou da sua. (Fonte: “A Revolução Interior – Um Livro de Auto-Estima”, de Gloria Steinem)

Nós, mulheres, já avançamos muito! E você, Malala, faz parte desta luta! Vamos dizer não também à ditadura dos padrões estéticos! Vamos, cada um de nós, reconhecer a nossa beleza única! Parece bobagem? Não, não é! Não é bobagem eu me sentir livre, me sentir bem na minha própria pele!