29 março 2020

O que é beleza afinal? - Parte 1

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Cada um de nós é uma obra de arte do Criador. A natureza é de uma diversidade infinita e aí está a beleza da vida. Eu acho que todas as pessoas possuem algo de bonito e são lindas, atraentes, cada uma à sua maneira. Uma mulher gordinha, por exemplo, pode ser considerada "voluptuosa", "sexy". E os homens a verão dessa maneira se ela tiver esta auto-imagem. Uma mulher baixinha pode ser vista como sendo atraente, delicada...

Também quero comentar que sexo não envolve só a aparência física; sexo também é cabeça. Eu me arrisco a dizer que sexo é principalmente cabeça - basta lembrar que problemas como a impotência e a ejaculação precoce, por exemplo, geralmente são causados por fatores psicológicos. E o tesão depende de como uma pessoa vê a outra. É claro que existem inúmeras características que tornam uma pessoa atraente e cada um tem os seus pontos fortes, que devem ser explorados.

Eu li várias histórias sobre homens e mulheres que não correspondiam aos padrões de beleza da época e que foram considerados muito atraentes, pois sabiam usar os seus pontos forte. Jean Paul Sartre, por exemplo, não era bonito, mas conseguiu conquistar várias lindas mulheres. Certamente neste caso a sedução intelectual teve o seu papel. E Edith Piaf também não correspondia aos padrões de beleza da época, mas conquistou vários homens que se tornaram seus amantes, além dos apaixonados fãs. Creio que o seu imenso talento e a sua sensibilidade, a sua intensidade a tornaram irresistível aos olhos de muitas pessoas.

Mais um recadinho para aqueles que estão precisando de um trato na autoestima: as pessoas têm os gostos mais diversos e existem pessoas que combinam com você.

Acho que também é preciso lembrar que a beleza é algo superficial e transitório. Eu acho que é bom nós termos consciência disso. Qualquer um está sujeito a perder sua beleza de uma hora para outra e todos nós envelheceremos um dia. Se bem que eu acho que no final das contas todas as pessoas serão sempre bonitas. Uma pessoa idosa continua sendo bonita, principalmente se cuidar de si mesma, da sua saúde e tiver um espírito bonito, jovem.

Um outro exemplo da transitoriedade da beleza: depois de ter um filho, o corpo de uma mulher dificilmente voltará a ser o mesmo. Então acho que eventuais críticas (se alguém achar realmente necessário fazer críticas, talvez com a intenção de que o outro cuide mais de sua saúde...) devem ser feitas respeitosamente, com tato, no momento certo e da maneira certa...

Outra observação que considero muito importante: atitude é tudo! Lembrei-me que certa vez que certa vez eu saí a noite e estava produzida, maquiada, usando vestido curto e sandálias de salto alto. Mas eu não estava me sentindo bonita... Naquela noite nenhum rapaz reparou em mim. Em outra ocasião eu estava vestida de maneira simples, mas estava me sentindo bem comigo mesma. Eu estava caminhando pela rua e um rapaz falou para outro: "Olha só que menina bonitinha!" É, atitude faz toda a diferença!

Ao que parece os valores essenciais foram deixados de lado e a mídia incentiva a superficialidade. O que realmente importa? Ser uma pessoa que corresponde aos padrões de beleza ou ser de fato uma bela pessoa? Fazer de tudo para ser mais "bonito(a)" ou procurar fazer o bem? É claro que se cuidar é saudável, é bom, principalmente se a pessoa partir da premissa de que adotou bons hábitos porque se ama. A vaidade não é um pecado tão grave assim, não é verdade? O que não faz bem é se tornar escravo(a) dos padrões de beleza.

A mídia vende um padrão de beleza inatingível para a maioria das pessoas, simples mortais. Nós não deveríamos nos deixar influenciar pelas mensagens dos meios de comunicação. E aqueles que "compram" estas idéias e dispensam pessoas que não correspondem aos padrões de beleza podem estar perdendo oportunidades incríveis!

O que é beleza afinal? - Parte 2

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  Parte das consumidoras que estão no Banco de Imagens In(visíveis) -  (crédito: Grupo Boticário/Divulgação)
 
A concepção clássica de beleza envolve as noções de equilíbrio e harmonia. De fato, a Vênus de Milo não corresponde à imagem de mulher muito magra, característica que faz parte do ideal de beleza atual. “No grego koiné, a beleza então era associada a "estar em sua hora/seu momento". Assim, um fruto maduro (em seu tempo) era considerada bonito, enquanto uma jovem mulher que tenta parecer mais velha ou uma mulher mais velha tentando parecer mais jovem não seria considerado bonito.” (Fonte: Wikipedia)

Os padrões de beleza mudaram muito ao longo do tempo. As mulheres pintadas por Peter Paul Rubens, por exemplo, seriam consideradas gordinhas hoje em dia, mas eram as beldades de sua época. Ao que parece o fator econômico influencia fortemente a noção de beleza de uma sociedade em determinada época. Durante períodos de escassez pessoas com sobrepeso eram consideradas bonitas, pois só os ricos podiam ter mesas fartas. Hoje em dia muitas pessoas têm acesso a alimentos altamente calóricos e baratos e ser magra implica em ter tempo e dinheiro para frequentar uma academia e consumir alimentos saudáveis e / ou dietéticos, que geralmente são mais caros.

Naomi Wolf, autora do livro “O mito da beleza”, trata da relação entre o poder econômico e a mídia. É claro que isso tem reflexos sobre os padrões de beleza, que são divulgados pelos meios de comunicação de massa e acabam por ser aceitos pela sociedade. A escritora assinala que as revistas femininas sofrem vários tipos de censura, entre eles a pressão dos anunciantes e a manipulação das imagens de mulheres. De fato, pessoas satisfeitas consigo não sentem necessidade de comprar coisas das quais não precisam, não é verdade?

Porém, há uma revista inglesa intitulada New Woman, cujas propagandas satirizam as top models. Eu acho que não está certo satiriza-las, mas enfim... Segundo seus idealizadores, a revista procura contestar os padrões de beleza da sociedade moderna e a sua leitora ideal seria a mulher que não aceita os cânones da mídia e não é magra como as modelos. E eu acho que a revista Cláudia também está trilhando este caminho. Foram publicadas diversas matérias questionando a ditadura dos padrões de beleza atuais. Além disso, como o público-alvo da revista é predominantemente de mulheres maduras, as modelos não são tão jovens, nem tão magras. E iniciativas como a campanha publicitária “Real Beleza” dos produtos da marca Dove me deixam otimista.

Segundo Naomi Wolf, a atual ditadura dos padrões estéticos foi uma reação da sociedade machista às conquistas do movimentos feminista. É claro que o aspecto econômico não pode deixar de ser levado em conta. Com o advento do feminismo, os empresários e até mesmo as revistas femininas precisaram repensar suas posições. Afinal, a mulher que estava surgindo provavelmente não se interessaria tanto por produtos domésticos como ocorria anteriormente e o seu feminismo poderia chegar a um ponto em que ela nem sequer desejaria ler revistas femininas. A solução encontrada foi realizar uma transferência de culpa, ou seja, procurou-se fazer com que a mulher se sentisse culpada se não fizesse tudo o que estivesse ao seu alcance para ser bela. Inclusive na época a mídia criou o estereótipo da “feminista feia”.

Naomi Wolf também assinalou que deveríamos imaginar o que uma mulher poderia fazer se ingerisse a quantidade adequada de calorias.

Recentemente o livro “Capital Erótico”, de Catherine Hakim, gerou polêmica. Segundo a professora de sociologia, pessoas sedutoras, bonitas, elegantes e carismáticas geralmente encontram facilidade para ser bem sucedidas nas várias esferas da vida. Mas penso que um destes fatores é muito importante: o carisma. No artigo intitulado “A vida é motivada pelo magnetismo pessoal” (http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=32522), Bernardino Nilton Nascimento menciona pessoas como Napoleão e a Senhora Staël, romancista e ensaísta francesa, que não se destacavam pela aparência, mas tinham magnetismo pessoal. Devido a esta característica estas pessoas conseguiram influenciar os seus contemporâneos e conquistar a sua admiração.

Além disso, é claro que as empresas deveriam adotar métodos de avaliação dos candidatos a empregos que realmente indicassem a(s) competência(s) de cada um. Inclusive nos relacionamentos pessoais outras qualidades, fora a aparência, deveriam sempre ser levadas em consideração.

É claro que buscar o que é belo e bom é algo saudável, recomendável. O que é bom também é belo. Mas afinal, o que é belo? Isto é extremamente subjetivo. Todos nós somos únicos, obras de arte do criador e devemos honrar a divindade que existe em cada um de nós, valorizando todas as nossas características. No livro “Mulheres que correm com os lobos”, Clarissa Pinkola Estés fala de duas mulheres que aprenderam a ter esta atitude. Uma delas era alta, como outras mulheres de sua família e de sua comunidade. Estas pessoas consideravam o fato de ser altas como uma maneira de se aproximarem de Deus. A outra mulher era mais baixa, atarracada. As mulheres de sua comunidade de origem também tinham estas características, que faziam com que elas se sentissem próximas da mãe terra. E é claro que a mãe terra é outra manifestação da divindade. Penso que também devemos encarar as mudanças que o tempo e gravidez causam em nossos corpos como manifestações da Vida, de Deus.

Admito que estou brigando com uma parte minha que é extremamente auto-crítica, como são muitas outras mulheres. Devemos nos sentir livres para nos sentirmos belos e atraentes exatamente como somos. Devemos dizer não à ditadura dos padrões estéticos! Mais do que isso, devemos dizer não aos preconceitos! Até mesmo pessoas consideradas bonitas sofrem por causa de preconceitos. Por exemplo, pessoas muito bonitas em certos casos não são consideradas inteligentes. É claro que isto é uma bobagem! A atriz Sharon Stone tem um QI muito alto e o ator Dolph Lundgren, conhecido por ter atuado em filmes de ação, é mestre em engenharia química pela Universidade de Sydney, Austrália. O seu currículo é impressionante.

As pessoas que se destacam pela beleza também sofrem por causa da inveja das demais. Espero que um dia isto tudo mude. Tomara que cada vez mais pessoas sigam as lições de Jesus e aprendam a amar seus semelhantes, respeitando a aparência e o jeito de ser de cada um. Assim mais pessoas poderiam se sentir livres para simplesmente ser quem são.

28 março 2020

O que é a beleza afinal? - Parte 3

23:51 0 Comments
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Recentemente eu assisti ao documentário “Embrace” (disponível no Netflix), que trata do relacionamento que temos com nossos próprios corpos. Uma frase que me marcou foi a seguinte: “Seja leal ao seu corpo, ame o seu corpo; ele é o único que você tem.” Eu já sofri muito por não aceitar o meu corpo, fui cruel comigo mesma…

Quando eu era criança olhei no espelho e vi uma linda menina, com belos olhos verdes, lindos cabelos e pele, dentes que tinham um brilho de pérolas... Afinal eu era uma criança saudável e meninas têm pele, cabelos e dentes saudáveis, perfeitos. Mas uma nuvem escura encobriu o meu olhar. Eu pensei: “Não posso me considerar bonita, pois sou baixinha.”

Certa vez uma amiga olhou para uma jovem e disse: “Um dia eu já fui bonita e atraente como esta jovem.” Eu pensei que nunca me senti assim, pois sou portadora da Síndrome de Turner e demorei para ter um corpo de mulher. Sinto-me como se eu fosse uma flor que desabrochou e murchou muito rápido. Mas é claro que se eu pensar assim, se eu me sentir assim estarei sendo cruel comigo mesma. Já fui bonita e atraente quando era mais jovem e continuo sendo bonita, atraente, mais madura. Certa vez cheguei a pensar que eu abriria mão do que acho belo em mim para ser "normal". Que bobagem! Que falta de generosidade comigo mesma!

Há alguns dias eu pensei que devo tomar posse de mim mesma e da minha beleza única. Afinal cada um de nós é bonito à sua maneira, não é verdade? Uma violeta não deseja ser uma rosa ou uma orquídea. Ela tem a sua beleza peculiar, a singela beleza da simplicidade.

Tomar posse da minha beleza também implica em não acolher a imagem que o outro faz de mim, não me deixar abater. Apossar-me do que há de belo em mim também implica em ter consciência desta beleza e acolhê -la.

Eu não preciso da validação dos outros. Isso soa um tanto arrogante e solitário? Quanto à arrogância, creio que se trata de um egocentrismo saudável. Pensar desta maneira é algo solitário? Aparentemente… Afinal as flores não exalam o seu perfume mesmo que não haja ninguém por perto?

A beleza é um lampejo, é algo efêmero, como tudo é. E o que não faz parte deste momento de fugaz beleza também é belo, basta ter olhos para ver…
Como escreveu o poeta Robert Frost, "O primeiro verde da natureza é dourado / - para ela, o tom mais difícil de fixar. / Sua primeira folha é uma flor, / mas só durante uma hora. / Depois folha se rende à folha. / Assim o Paraíso afundou na dor, / assim a aurora se transforma em dia. / Nada que é dourado pode permanecer."

No filme “Vidas sem rumo” (“The Outsiders”) este poema é declamado e, se não estou enganada, toca uma música que diz “continue dourado”… Sim, a luz o brilho de cada um de nós devem ser eternos. E o que certa vez existiu terá existido para sempre…

Distraídas venceremos!

23:34 0 Comments


Desde criança sou agitada, desorganizada e esquecida. Durante toda a minha vida sofri por causa da minha distração. Eu perdi muitas coisas, fui furtada por estar distraída… Durante a minha vida escolar eu também tive diversos problemas por causa da minha desorganização. O pior é que eu sempre cobrei muito de mim mesma, me culpei… Então cheguei a um ponto em que tive crises de ansiedade…

Eu me senti um pouco aliviada ao ler o livro de Ana Beatriz Barbosa Silva, “Mentes Inquietas – TDAH: Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade”. Finalmente eu soube que não tenho culpa se sou distraída e desorganizada. É claro que o próximo passo seria fazer algo para lidar com as minhas dificuldades. Mas não foi tão simples assim.

Cheguei a trocar algumas mensagens pela internet com uma psicóloga que atende um grupo de garotas com Síndrome de Turner. Ela me mandou uma mensagem, explicando que muitas portadoras da ST têm problemas como o TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade, o transtorno bipolar e a depressão.

O medicamento que muitas vezes é receitado para pacientes com TDAH é a Ritalina. Tomei o remédio durante um curto período e não me senti bem. É claro que a reação ao remédio varia de pessoa para pessoa.

De acordo com o Dr. Dean Mooney, nós, portadoras da Síndrome de Turner, normalmente não temos TDAH, mas sim Distúrbio de Aprendizagem Não Verbal (em inglês, Non-Verbal Learning Disabilities - NVLD ou NVD). Na verdade há controvérsia entre os especialistas quanto a este diagnóstico.
 
E no que consiste o Transtorno de Aprendizagem Não Verbal? Segundo Maria de Lourdes Merighi Tabaquim, “O transtorno de aprendizagem não-verbal é uma alteração específica no funcionamento do sistema nervoso, caracterizada por prejuízos marcantes no raciocínio matemático, na cognição visoespacial, coordenação motora, percepção sensorial e nas habilidades sociais.”* As crianças com TANV também podem apresentar déficit de atenção e dificuldades relacionadas às funções executivas (organização e planejamento).

Independentemente do diagnóstico, como lidar com estas dificuldades? Dependendo do caso, a intervenção de uma psicopedagoga pode trazer grandes benefícios para a criança ou adolescente. A terapia cognitivo-comportamental também pode ser de grande ajuda. Hoje em dia se fala bastante sobre  Atenção Plena ou “Mindfulness” e de um tratamento chamado "neurofeedback", que é oferecido por neuropsicólogos.

Adotar certas estratégias para lidar com a distração e a falta de organização também pode ser bastante útil. Além disso, existem vários aplicativos que podem nos ajudar.

Então vamos procurar lidar com as nossas dificuldades. Como disse o poeta Paulo Leminski, distraídas venceremos!

Para saber mais:
- “Mentes Inquietas – TDAH: Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade” - Ana Beatriz Barbosa Silva
- “Mindfulness em Oito Semanas” - Michael Chaskalson
- “Atenção Plena: Mindfulness”- Mark Williams e Danny Penman
- “Por Que é Tão Difícil Aprender?” - Anna Sans Fitó – Editora Paulinas – Brasil
- * Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Artigo Especial - Ano 2016 - Volume 33 - Edição 102

Perfil em "LAS CARAS DE TURNER" - Parte 1

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Patricia Marques tiene 48 años, es abogada, periodista y vive en Curitiba, Brasil. Está casada  y actualmente trabaja en la Justicia Federal de su país. Aquí comparte lo que ha significado para ella vivir con S.T.

Infancia

Tuve un parto difícil. Cuando nacía yo estaba con el cordón umbilical enrollado en el cuello y fue necesario usar “forceps”. Durante un rápido momento no pude respirar. Mi padre, que es médico, estaba asistiendo al parto y se quedó tan preocupado que más tarde no quiso asistir al parto de mi hermana. Según un antiguo terapeuta mío, yo no quería venir a esta existencia, no con este cuerpo.

Siempre supe que era más pequeña que los otros niños. Por increíble que parezca, desde muy temprano yo ya tenía preocupaciones en relación al futuro. Me preguntaba: “¿Me voy a casar? “, ¿voy a conseguir un empleo?”. Mis preocupaciones terminaron por ser tonterías, pues encontré un gran amor y hoy soy funcionaria pública.

Era una niña nerviosa, pero tenía la espontaneidad, la autenticidad que todo niño tiene. Era extrovertida, siempre estaba cantando, bailando.

Fui diagnosticada con el síndrome de Turner cuando era niña. Las únicas características que he asociado al síndrome son la baja estatura, la infertilidad y los riñones en forma de herradura. Fui medicada, pero pude usar la hormona de crecimiento cuando recién tenía 16 años. En la época crecí poco.

Siempre me encantó leer y cuando tenía ocho años empecé a escribir poesías y pequeños cuentos. Una de las cosas que más me gustaba hacer era jugar al teatrito. Yo cantaba junto con los discos antiguos de mis padres e inventaba novelitas musicales.

¡Por supuesto que tenía brillo! Tuve tres novios de infancia. Uno me pidió en matrimonio. En la época yo tenía ocho años y él fue a hablar con mi padre, que respondió: “Si quieren casarse cuando lleguen a ser adultos, yo los dejo”. Yo llegué a escribir una carta para él en la que aceptaba.

No todo fueron flores. En el jardín de infancia me colocaron en la clase de los niños menores, por prejuicio, entonces mis padres decidieron matricularme en otra escuela. Yo era una niña agitada y quería jugar, entonces hacía las tareas mal para salir pronto, entonces una profesora poco preparada le dijo a mi madre que yo tenía problemas motores y ella se preocupó. Me hicieron un electroencefalograma y los resultados fueron normales. Muchos profesores no están aptos para tratar con los alumnos que tienen algún problema.

Bueno, las dificultades por las que pasé en la pre-escuela no dejaron secuelas, al menos no al parecer. Después de pasar por la adolescencia acabé perdiendo la espontaneidad, dejé de ser exhibida. Tal vez porque terminé teniendo una noción del ridículo. Tal vez porque mi autoestima estaba baja, pero eso pasó. Hoy estoy mejor. Para adelante no es que se camina, verdad?

Texto publicado no blog "Las Caras de Turner" https://lascarasdeturner.wordpress.com/2018/01/11/patricia/

23 março 2020

Perfil em "LAS CARAS DE TURNER" - Parte 2

15:57 0 Comments


 

 
La adolescencia

En aquella época no conseguí aprovechar el apoyo que tuve. Cuando yo tenía aproximadamente 12 años escribí tonterías en mi diario de vida. Escribí que era fea y así sucesivamente. Tenía una buena amiga que leyó lo que escribí y trató de levantar mi moral. Ella decía cosas como: “No camines mirando hacia abajo, empina la nariz”. No pude absorber lo que ella decía, no tenía madurez para eso.

Durante la adolescencia pasé por un período de grave depresión, pues creía que no iba a encontrar un amor. ¡Qué tontería! Hice terapia durante un largo período para trabajar en ello.

Durante mi vida escuché muchas cosas negativas. En la escuela secundaria tuve una profesora que durante la clase me comparó con una compañera que había vencido un concurso de belleza famoso en nuestra región, señalando que yo, al lado de ella, parecía una niña y no una muchacha.

Para mí la adolescencia fue la “noche oscura del alma”. Sé que muchas personas describirían esta fase de manera semejante. La adolescencia realmente no es una época fácil, pero pasa, como todo pasa.

Texto publicado no blog "Las Caras de Turner" https://lascarasdeturner.wordpress.com/2018/01/11/patricia/