28 março 2020

Distraídas venceremos!



Desde criança sou agitada, desorganizada e esquecida. Durante toda a minha vida sofri por causa da minha distração. Eu perdi muitas coisas, fui furtada por estar distraída… Durante a minha vida escolar eu também tive diversos problemas por causa da minha desorganização. O pior é que eu sempre cobrei muito de mim mesma, me culpei… Então cheguei a um ponto em que tive crises de ansiedade…

Eu me senti um pouco aliviada ao ler o livro de Ana Beatriz Barbosa Silva, “Mentes Inquietas – TDAH: Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade”. Finalmente eu soube que não tenho culpa se sou distraída e desorganizada. É claro que o próximo passo seria fazer algo para lidar com as minhas dificuldades. Mas não foi tão simples assim.

Cheguei a trocar algumas mensagens pela internet com uma psicóloga que atende um grupo de garotas com Síndrome de Turner. Ela me mandou uma mensagem, explicando que muitas portadoras da ST têm problemas como o TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade, o transtorno bipolar e a depressão.

O medicamento que muitas vezes é receitado para pacientes com TDAH é a Ritalina. Tomei o remédio durante um curto período e não me senti bem. É claro que a reação ao remédio varia de pessoa para pessoa.

De acordo com o Dr. Dean Mooney, nós, portadoras da Síndrome de Turner, normalmente não temos TDAH, mas sim Distúrbio de Aprendizagem Não Verbal (em inglês, Non-Verbal Learning Disabilities - NVLD ou NVD). Na verdade há controvérsia entre os especialistas quanto a este diagnóstico.
 
E no que consiste o Transtorno de Aprendizagem Não Verbal? Segundo Maria de Lourdes Merighi Tabaquim, “O transtorno de aprendizagem não-verbal é uma alteração específica no funcionamento do sistema nervoso, caracterizada por prejuízos marcantes no raciocínio matemático, na cognição visoespacial, coordenação motora, percepção sensorial e nas habilidades sociais.”* As crianças com TANV também podem apresentar déficit de atenção e dificuldades relacionadas às funções executivas (organização e planejamento).

Independentemente do diagnóstico, como lidar com estas dificuldades? Dependendo do caso, a intervenção de uma psicopedagoga pode trazer grandes benefícios para a criança ou adolescente. A terapia cognitivo-comportamental também pode ser de grande ajuda. Hoje em dia se fala bastante sobre  Atenção Plena ou “Mindfulness” e de um tratamento chamado "neurofeedback", que é oferecido por neuropsicólogos.

Adotar certas estratégias para lidar com a distração e a falta de organização também pode ser bastante útil. Além disso, existem vários aplicativos que podem nos ajudar.

Então vamos procurar lidar com as nossas dificuldades. Como disse o poeta Paulo Leminski, distraídas venceremos!

Para saber mais:
- “Mentes Inquietas – TDAH: Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade” - Ana Beatriz Barbosa Silva
- “Mindfulness em Oito Semanas” - Michael Chaskalson
- “Atenção Plena: Mindfulness”- Mark Williams e Danny Penman
- “Por Que é Tão Difícil Aprender?” - Anna Sans Fitó – Editora Paulinas – Brasil
- * Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Artigo Especial - Ano 2016 - Volume 33 - Edição 102

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