28 março 2020

O que é a beleza afinal? - Parte 3

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Recentemente eu assisti ao documentário “Embrace” (disponível no Netflix), que trata do relacionamento que temos com nossos próprios corpos. Uma frase que me marcou foi a seguinte: “Seja leal ao seu corpo, ame o seu corpo; ele é o único que você tem.” Eu já sofri muito por não aceitar o meu corpo, fui cruel comigo mesma…

Quando eu era criança olhei no espelho e vi uma linda menina, com belos olhos verdes, lindos cabelos e pele, dentes que tinham um brilho de pérolas... Afinal eu era uma criança saudável e meninas têm pele, cabelos e dentes saudáveis, perfeitos. Mas uma nuvem escura encobriu o meu olhar. Eu pensei: “Não posso me considerar bonita, pois sou baixinha.”

Certa vez uma amiga olhou para uma jovem e disse: “Um dia eu já fui bonita e atraente como esta jovem.” Eu pensei que nunca me senti assim, pois sou portadora da Síndrome de Turner e demorei para ter um corpo de mulher. Sinto-me como se eu fosse uma flor que desabrochou e murchou muito rápido. Mas é claro que se eu pensar assim, se eu me sentir assim estarei sendo cruel comigo mesma. Já fui bonita e atraente quando era mais jovem e continuo sendo bonita, atraente, mais madura. Certa vez cheguei a pensar que eu abriria mão do que acho belo em mim para ser "normal". Que bobagem! Que falta de generosidade comigo mesma!

Há alguns dias eu pensei que devo tomar posse de mim mesma e da minha beleza única. Afinal cada um de nós é bonito à sua maneira, não é verdade? Uma violeta não deseja ser uma rosa ou uma orquídea. Ela tem a sua beleza peculiar, a singela beleza da simplicidade.

Tomar posse da minha beleza também implica em não acolher a imagem que o outro faz de mim, não me deixar abater. Apossar-me do que há de belo em mim também implica em ter consciência desta beleza e acolhê -la.

Eu não preciso da validação dos outros. Isso soa um tanto arrogante e solitário? Quanto à arrogância, creio que se trata de um egocentrismo saudável. Pensar desta maneira é algo solitário? Aparentemente… Afinal as flores não exalam o seu perfume mesmo que não haja ninguém por perto?

A beleza é um lampejo, é algo efêmero, como tudo é. E o que não faz parte deste momento de fugaz beleza também é belo, basta ter olhos para ver…
Como escreveu o poeta Robert Frost, "O primeiro verde da natureza é dourado / - para ela, o tom mais difícil de fixar. / Sua primeira folha é uma flor, / mas só durante uma hora. / Depois folha se rende à folha. / Assim o Paraíso afundou na dor, / assim a aurora se transforma em dia. / Nada que é dourado pode permanecer."

No filme “Vidas sem rumo” (“The Outsiders”) este poema é declamado e, se não estou enganada, toca uma música que diz “continue dourado”… Sim, a luz o brilho de cada um de nós devem ser eternos. E o que certa vez existiu terá existido para sempre…

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