
Recentemente
eu assisti ao documentário “Embrace” (disponível no Netflix),
que trata do relacionamento que temos com nossos próprios corpos.
Uma frase que me marcou foi a seguinte: “Seja leal ao seu corpo,
ame o seu corpo; ele é o único que você tem.” Eu já sofri muito
por não aceitar o meu corpo, fui cruel comigo mesma…
Quando
eu era criança olhei no espelho e vi uma linda menina, com belos
olhos verdes, lindos cabelos e pele, dentes que tinham um brilho de
pérolas... Afinal eu era uma criança saudável e meninas têm pele,
cabelos e dentes saudáveis, perfeitos. Mas uma nuvem escura encobriu
o meu olhar. Eu pensei: “Não posso me considerar bonita, pois sou
baixinha.”
Certa
vez uma amiga olhou para uma jovem e disse: “Um dia eu já fui
bonita e atraente como esta jovem.” Eu pensei que nunca me senti
assim, pois sou portadora da Síndrome de Turner e demorei para ter
um corpo de mulher. Sinto-me como se eu fosse uma flor que
desabrochou e murchou muito rápido. Mas é claro que se eu pensar
assim, se eu me sentir assim estarei sendo cruel comigo mesma. Já
fui bonita e atraente quando era mais jovem e continuo sendo bonita,
atraente, mais madura. Certa vez cheguei a pensar que eu abriria mão
do que acho belo em mim para ser "normal". Que bobagem! Que
falta de generosidade comigo mesma!
Há
alguns dias eu pensei que devo tomar posse de mim mesma e da minha
beleza única. Afinal cada um de nós é bonito à sua maneira, não
é verdade? Uma violeta não deseja ser uma rosa ou uma orquídea.
Ela tem a sua beleza peculiar, a singela beleza da simplicidade.
Tomar
posse da minha beleza também implica em não acolher a imagem que o
outro faz de mim, não me deixar abater. Apossar-me do que há de
belo em mim também implica em ter consciência desta beleza e acolhê
-la.
Eu
não preciso da validação dos outros. Isso soa um tanto arrogante e
solitário? Quanto à arrogância, creio que se trata de um
egocentrismo saudável. Pensar desta maneira é algo solitário?
Aparentemente… Afinal as flores não exalam o seu perfume mesmo que
não haja ninguém por perto?
A
beleza é um lampejo, é algo efêmero, como tudo é. E o que não
faz parte deste momento de fugaz beleza também é belo, basta ter
olhos para ver…
Como escreveu o poeta Robert Frost, "O primeiro verde da natureza é dourado / - para ela, o tom mais difícil de fixar. / Sua primeira folha é uma flor, / mas só durante uma hora. / Depois folha se rende à folha. / Assim o Paraíso afundou na dor, / assim a aurora se transforma em dia. / Nada que é dourado pode permanecer."
Como escreveu o poeta Robert Frost, "O primeiro verde da natureza é dourado / - para ela, o tom mais difícil de fixar. / Sua primeira folha é uma flor, / mas só durante uma hora. / Depois folha se rende à folha. / Assim o Paraíso afundou na dor, / assim a aurora se transforma em dia. / Nada que é dourado pode permanecer."
No
filme “Vidas sem rumo” (“The Outsiders”) este poema é
declamado e, se não estou enganada, toca uma música que diz
“continue dourado”… Sim, a luz o brilho de cada um de nós
devem ser eternos. E o que certa vez existiu terá existido para
sempre…
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