Eu soube que, apesar da sua imensa coragem, você está passando pelas dificuldades típicas da adolescência. O seu corpo está mudando e não obedece à sua vontade. Você gostaria de ser mais alta, chegou a rezar para crescer um pouco mais. Eu também já passei por isso, Malala. Certa vez eu me olhei no espelho e de repente percebi a minha beleza. Na época eu era uma linda criança, tinha uma pele perfeita, belos olhos verdes e dentes que brilhavam como pérolas. Mas logo depois uma nuvem turvou o meu olhar. Eu não sentia que tinha o direito de me considerar bonita. Eu era menor do que a maioria das crianças da mesma idade e hoje, já adulta, sou um pouco mais baixa do que você. Tenho 1, 45 m de altura. E daí? A minha baixa estatura não atrapalhou em nada a minha vida. A insegurança certamente fez com que as coisas caminhassem mais devagar para mim, mas o fato de eu ser baixinha não foi um obstáculo na minha busca pela felicidade.
E você é uma linda garota, é uma bela pessoa! Sei que você tem coisas mais importantes com as quais se preocupar, além da aparência!
Lembrei da história de Eleanor Roosevelt. Ela não foi qualquer primeira-dama, foi uma importante e compassiva líder. A Sra. Roosevelt foi ativista dos direitos humanos e Embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do presidente Harry Truman. Entretanto, esta grande mulher passou a vida lamentando não ser tão “bonita” quanto sua mãe. Tomando emprestadas as palavras de Gloria Steinem, esta atitude não foi digna da sua vida. E não seria digna da minha vida ou da sua. (Fonte: “A Revolução Interior – Um Livro de Auto-Estima”, de Gloria Steinem)
Nós, mulheres, já avançamos muito! E você, Malala, faz parte desta luta! Vamos dizer não também à ditadura dos padrões estéticos! Vamos, cada um de nós, reconhecer a nossa beleza única! Parece bobagem? Não, não é! Não é bobagem eu me sentir livre, me sentir bem na minha própria pele!

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