06 dezembro 2011

Maternidade

 
Não posso ter ter filhos e nunca sofri por isso. Mas mesmo assim uma frase de Amma, guru indiana, aqueceu o meu coração: “A essência maternal não se restringe às mulheres que dão à luz; ela é inerente tanto ao homem quanto à mulher. É um estado de espírito. É o amor, e o amor é o próprio sopro da vida.”

Eu tenho olhos verdes e o meu marido é descendente de japoneses. Ele tem lindos olhos – grandes e cor de âmbar, dependendo da luminosidade. É claro que eu adoraria dar ao meu amor uma filha cujos olhos fossem uma mistura dos nossos! Acho que ela seria linda! Mas isso não é tão importante assim, o que realmente importa é o amor!

As portadoras de ST podem recorrer à fertilização "in vitro". É claro que é importante ter uma boa assistência médica, pois em muitos casos a gravidez pode apresentar riscos. Além disso, nós, mulheres com ST, temos uma grande probabilidade de desenvolvermos osteoporose, devido à deficiência de hormônios femininos. A reposição hormonal e exercícios físicos são importantes para previnir a osteoporose. E ao optar pela fertilização "in vitro", é importante ter a consciência de que trata-se de uma gravidez que requer cuidados. Mas tudo pode dar certo!

Hoje eu tenho consciência de que ser mãe é muito difícil. Muitas mães dizem que mesmo quando tudo está indo bem, não é fácil. Não quero desestimular aqueles que desejam adotar uma criança, mas não posso deixar de observar que este é um caminho que apresenta muitas dificuldades.

Não importa se trata-se de um filho(a) biológico(a) ou adotado(a), de qualquer maneira é muito importante que aqueles que decidem ser pais estejam preparados para isso. Ser pai ou mãe requer muita disponibilidade em vários sentidos, maturidade, estabilidade emocional... Então é claro que eu entendo aqueles que optam por não ter filhos.

Como a mestra Amma disse, a essência maternal é o amor. Então é possível ser pai ou mãe ao realizar qualquer atividade criativa. Para aqueles que têm vocação para as áreas da educação ou da saúde, é evidente que a essência maternal / paternal encontra-se presente. É possível exercer a maternidade / paternidade de muitas formas. É claro que quando procuramos fazer algo de bom por nossos semelhantes o amor, de que falaram Amma e Jesus, está presente. 

É importante que aqueles que decidem ter filhos estejam preparados para amar incondicionalmente. Isso é lindo e é muito difícil. Muitas mães e pais dizem que, ao ter filhos, passaram a sentir um amor que nunca antes imaginaram. É muito bonito! É claro que ter filhos traz alegrias. O afeto, a gratificação ao saber do sucesso do filho(a)... Mas existem as dificuldades, que não podem ser ignoradas. Pouco se fala da depressão pós-parto ou pós adoção. E o debate é necessário. É preciso tirar a "aura romântica" que envolve a maternidade / paternidade. Para começo de conversa, quem disse que o "instinto materno" existe? Muitas pessoas podem sentir o instinto para ser mãe ou pai, outras não. Para muitas pessoas criar um vínculo com seu filho ou filha é muito difícil.

Ser mãe ou pai é um compromisso, talvez o último compromisso que ainda existe em tempos de "amores líquidos" (Zygmunt Bauman). Isto é pesado! Hoje em dia os relacionamentos são muito instáveis. Inclusive muitas pessoas têm filhos e não os assumem, por várias razões...

Hoje eu tenho consciência de que ser mãe ou pai também é  estar pronto para o que der e vier. Isto também tem um peso muito grande! Decidir ter um filho(a) (para aqueles que tomam esta decisão de maneira consciente) é um ato de coragem e ao mesmo tempo de esperança, fé na vida... Ou seja, ter filhos exige muito dos pais, inclusive espiritualmente. Além disso, é claro que existem exigências intensas nos planos físico e emocional. Realmente não é fácil! Ninguém disse que é fácil!

E se o filho decepciona os pais? Os pais se culpam muito! "O que eu fiz de errado?" - é uma frase clássica. É claro que os pais têm responsabilidade pela educação dos filhos, mas esta responsabilidade está longe de ser absoluta! Principalmente durante a fase da adolescência, a influência dos amigos e da sociedade é grande. Isto sem falar que muitos adolescentes espelham-se em seus ídolos ou sentem-se mais à vontade para conversar com outros adultos, que não são seus pais - professores, madrinha, tia...  Isto pode ser saudável, é claro. Só quis ressaltar que a responsabilidade dos pais não é total, não pode ser. O(a) filho(a) é outro indivíduo e vai ter vida própria. Se o caminho escolhido pelo(a) filho(a) é uma decepção para os pais, só resta a eles a aceitação. E este também não é um caminho fácil, é claro. 

Ser mãe ou pai requer uma abnegação, uma generosidade imensas... Então é importante para quem decide ter filhos (de maneira consciente) questionar-se: "Eu sei cuidar bem de mim mesmo(a)? Eu ofereço a mim mesmo(a) o tempo de que eu preciso para fazer o que amo? Eu me coloco como prioridade na minha vida? Eu não vou sentir que estou sacrificando a minha vida ao ter um(a) filho(a)? Em outras palavras, eu me amo o bastante para ter amor a oferecer para alguém que dependerá totalmente de mim?" É fácil falar tudo isso, o difícil é percorrer o caminho até chegar lá!

Então é isso... Ser mãe ou pai é uma tremenda aventura, talvez a maior aventura pela qual um ser humano pode passar. Ou seja, podem acontecer altos e baixos... Você está preparado(a)?

Nenhum comentário:

Postar um comentário