Eu
nasci em 1972. Tive um parto difícil. Quando nasci, estava com o
cordão umbilical enrolado no pescoço e foi necessário o uso de
“fórceps”. Por um rápido momento eu não consegui respirar.
Segundo um ex-terapeuta meu, eu não queria vir para esta existência,
não com este corpo.
Eu
sempre soube que era menor que as outras crianças. Por incrível que
pareça, desde tenra idade eu já tinha preocupações com o futuro.
Eu me perguntava: “Eu vou me casar? Eu vou conseguir um emprego?"
Minhas preocupações acabaram se revelando bobagens...
Eu
era uma menina nervosa, sentia uma certa angústia, mas tinha a
espontaneidade, a autenticidade que toda criança tem. Eu era
extrovertida, estava sempre cantando, dançando.
Fui
diagnosticada com síndrome de Turner quando criança. As únicas
características que tenho associadas à síndrome são baixa
estatura, infertilidade e rins em forma de ferradura. Eu fui
medicada, mas só pude usar hormônio do crescimento quando tinha
mais de 16 anos. Na época eu cresci pouco.
Sempre
gostei de ler e, aos oito anos, comecei a escrever poesias e pequenas
histórias. Uma das coisas que mais gostava de fazer era brincar de
teatro. Eu cantava junto ao escutar os discos antigos dos meus pais e
inventei uma pequena novela musical...
Claro
que eu tinha brilho! Eu tive três namorados de infância. Um deles
até me pediu em casamento! (Risadas)
Nem
tudo eram flores. No jardim de infância fui colocada na turma de
crianças menores, por preconceito. Então meus pais decidiram me
matricular em outra escola. Eu era uma garota agitada, então fazia
minhas tarefas rapidamente para ir brincar. Uma professora
despreparada disse para a minha mãe que eu tinha problemas motores e
ela ficou muito preocupada. Eu fiz um eletroencefalograma e os
resultados foram normais. Infelizmente muitos professores não estão
preparados para lidar com alunos que têm problemas.
Bem,
as dificuldades que passei na pré-escola não deixaram sequelas,
pelo menos não aparentemente. Durante toda a minha vida escolar fui
uma aluna de desempenho mediano.
Autoestima
nas alturas, pessoal!

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