16 dezembro 2013

Minha infância



Eu nasci em 1972. Tive um parto difícil. Quando nasci, estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço e foi necessário o uso de “fórceps”. Por um rápido momento eu não consegui respirar. Segundo um ex-terapeuta meu, eu não queria vir para esta existência, não com este corpo.

Eu sempre soube que era menor que as outras crianças. Por incrível que pareça, desde tenra idade eu já tinha preocupações com o futuro. Eu me perguntava: “Eu vou me casar? Eu vou conseguir um emprego?" Minhas preocupações acabaram se revelando bobagens...

Eu era uma menina nervosa, sentia uma certa angústia, mas tinha a espontaneidade, a autenticidade que toda criança tem. Eu era extrovertida, estava sempre cantando, dançando.

Fui diagnosticada com síndrome de Turner quando criança. As únicas características que tenho associadas à síndrome são baixa estatura, infertilidade e rins em forma de ferradura. Eu fui medicada, mas só pude usar hormônio do crescimento quando tinha mais de 16 anos. Na época eu cresci pouco.

Sempre gostei de ler e, aos oito anos, comecei a escrever poesias e pequenas histórias. Uma das coisas que mais gostava de fazer era brincar de teatro. Eu cantava junto ao escutar os discos antigos dos meus pais e inventei uma pequena novela musical...

Claro que eu tinha brilho! Eu tive três namorados de infância. Um deles até me pediu em casamento! (Risadas)

Nem tudo eram flores. No jardim de infância fui colocada na turma de crianças menores, por preconceito. Então meus pais decidiram me matricular em outra escola. Eu era uma garota agitada, então fazia minhas tarefas rapidamente para ir brincar. Uma professora despreparada disse para a minha mãe que eu tinha problemas motores e ela ficou muito preocupada. Eu fiz um eletroencefalograma e os resultados foram normais. Infelizmente muitos professores não estão preparados para lidar com alunos que têm problemas.

Bem, as dificuldades que passei na pré-escola não deixaram sequelas, pelo menos não aparentemente. Durante toda a minha vida escolar fui uma aluna de desempenho mediano.

Autoestima nas alturas, pessoal!

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