22 fevereiro 2015

Quero ser uma baixinha invocada!


Como qualquer outra pessoa, eu sempre quis ser amada. Isso me levou a evitar conflitos e acabei engolindo muitos “sapos”. É claro que isso não é saudável! Ser uma pessoa boa, amorosa é muito diferente de ser “boazinha”. Inclusive em certas situações é necessário falar para alguém que esta pessoa está agindo de maneira errada, não saudável. Isso faz parte de ser uma pessoa amorosa. Um bom amigo é aquele que também nos dá “broncas”, não é verdade?

Lidar com a raiva não é algo simples. Segundo Aristóteles, o ideal é expressar esta emoções em relação à pessoa certa, no momento certo e da maneira certa. Isso não é fácil, mas vale a pena tentar. Não é preciso ter uma atitude agressiva. O correto é expressar o que sentimos em vez de acusar a pessoa que nos aborreceu ou ofendeu. Pode ser o suficiente dizer: “Não gostei do que você disse / fez.”

Há vários anos uma terapeuta disse que queria me dar instrumentos para me tornar uma “baixinha invocada”. Na época isso não foi possível. Eu não tinha maturidade para chegar a este ponto. Mas hoje em dia, dependendo da situação, minhas atitudes podem ser muito diferentes daquelas do passado.

Certa vez o pessoal da faculdade tirou um “sarrinho” da minha cara. Na época eu já tinha trinta anos e eles eram mais jovens do que eu, imaturos. Perguntaram qual era a minha altura. Eu respondi: “1,43 m”. Deram risada e alguém falou: “Coitada”. Na ocasião eu fiquei quieta, pois estava passando por uma fase difícil da minha vida. Hoje em dia eu responderia mais ou menos o seguinte: “Coitada por que? Ser baixinha não atrapalhou em nada a minha vida. E o que importa na vida é aprender, evoluir como pessoa, fazer o bem!” Com estas palavras certamente eu teria calado aquelas pessoas.

Quando eu era criança me olhei no espelho e vi uma linda menina, com olhos verdes, pele e cabelos saudáveis, perfeitos, dentes que brilhavam como pérolas, nariz e orelhas pequenos, delicados... Os meus dentes da frente eram um pouco separados e grandes, mas nem por isso eu deixava de ser uma menina bonita. (Risadas) Bem, uma nuvem encobriu o meu olhar, passou pela minha mente que eu não podia me considerar bonita, pois era menor do que as outras crianças. Mas é claro que eu tenho o direito de me considerar bonita! Os padrões de beleza estão aí para que sejam questionados! É claro que todos nós somos bonitos, cada um a sua maneira!
É muito importante questionar a sociedade, que é doentia! Também não podemos deixar de lembrar que as opiniões da massa não devem ser levadas em consideração. É um chavão dizer que a massa é ignorante. Sim, é um chavão, mas também é verdadeiro. Podemos lembrar de vários eventos históricos que comprovam que a massa realmente é influenciável, muitas pessoas deixam-se levar pelas mensagens que recebem, o que levou a vários eventos trágicos, lamentáveis…

A raiva pode ser um sentimento saudável, caso seja a reação a uma injustiça. É claro que é essencial canalizar esta emoção da melhor maneira possível. Falar, escrever sobre estes sentimentos é uma opção. Utilizar a raiva como combustível para ações positivas é o caminho correto!

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