19 junho 2017

Empoderamento

mulheres no sertanejo 5

    Acho que esta é uma questão fundamental: o que é ser uma pessoa empoderada? Creio que tudo começa com o amor próprio. E, afinal, o que significa ter uma boa autoestima? Parece-me que um dos fundamentos do amor próprio é tomar posse de si mesmo(a), ser Senhor(a) de si mesmo(a). O autoconhecimento nos leva a este caminho. E a consciência de que as opiniões dos outros não importam tanto assim faz com que continuemos no mesmo sentido. Sim, as opiniões dos outros não importam tanto assim, pois cada um enxerga a realidade através de suas “lentes mentais”. Por exemplo, se eu não correspondo aos padrões de beleza aceitos pela nossa cultura certamente não vou chamar a atenção de alguém que valorize isto. Ou se eu sou muito romântica, sensível, talvez não desperte o interesse de uma pessoa que seja extremamente racional. Então faz sentido se preocupar muito como o que os outros pensam sobre nós ou com certas “exigências” da sociedade? Acho que não. Aliás, acho que é essencial questionar certos valores aceitos pela sociedade, ter opiniões próprias. Isto também leva ao empoderamento! A nossa sociedade está doente. Quem duvida disso? Os sinais estão por toda a parte.

    Tudo isso soa arrogante? Sim, talvez. Mas trata-se de uma arrogância saudável. É claro que uma atitude saudável para consigo e diante da vida também inclui a humildade. Ou seja, devemos ser capazes de perceber quando as opiniões dos outros devem ser levadas em consideração, pois apontam para os nossos defeitos, aspectos em relação aos quais podemos melhorar. Tudo isto faz parte do autoconhecimento, da construção do amor próprio e do processo de empoderamento. Aceitar as próprias falhas é o primeiro passo para a mudança, para a evolução. Como ensina o I-Ching, a verdadeira humildade, a verdadeira autoestima consiste em diminuir o que é exagerado em nós e valorizar qualidades que temos, muitas vezes menosprezadas. Ter uma noção de quem se é, o mais próxima possível da realidade, aceitar e valorizar isto – aí reside o verdadeiro amor próprio.

    O leitor talvez tenha a impressão de que eu me considero sábia, alguém que tem algo para ensinar… Não, eu tenho consciência de que sou uma pessoa como qualquer outra. Eu também estou aprendendo, sou apenas mais uma caminhante. Acho que estas reflexões são válidas, mas não têm nada de original. Mencionei o I-Ching… Além disso, as ideias de questionar sempre e da busca do autoconhecimento encontram-se nos fundamentos da filosofia.

    Agora vou abordar outra questão. Quando eu era adolescente me aventurei a ler “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera. Na época eu não tinha maturidade para absorver o conteúdo do livro, em toda a sua profundidade. Em um trecho da obra um dos personagens observa que a bondade de outro é a sua fraqueza. Na ocasião eu interrompi a leitura e me indaguei: “Será que a bondade pode ser fraqueza?” Hoje, mais madura, sei que não. Ser “bonzinho” pode levar uma pessoa a ser explorada, manipulada por outras. Mas pessoas boas, como Martin Luther King, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá não eram fracas, pelo contrário. Não vamos entrar na seara de que estas pessoas tinham um lado que não é admirável. Sim, é claro que elas tinham defeitos, isso faz parte da condição humana. O fato é que estas pessoas tinham um lado admirável e não eram fracas, de maneira alguma. Aliás, com o passar dos anos acabei percebendo que a “maldade” de certas pessoas é uma couraça, um disfarce para aparentar força e esconder uma profunda fragilidade. E a vulnerabilidade também faz parte da condição humana… Ter consciência disso já nos torna pessoas mais fortes, mais empoderadas.

    A conclusão é que buscarmos o autoconhecimento e a evolução nos leva ao empoderamento. E nem poderia ser diferente. Se assim fosse soaria como algo muito estranho, não é verdade?

Sugestão de leitura:
Empoderamento da Imagem para a mulher com ST (Luciana Martins Alves)http://sgabtoasw.blogspot.com.br/2016/12/empoderamento-da-imagem-para-mulher-com.html

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