
Eu me chamo Sophia e tenho 23 anos. Vou fazer um breve resumo da minha vida.
Quando estava grávida de mim minha mãe teve dois inícios de aborto, mas a gestação seguiu o seu curso e eu nasci no dia 22/12/97. Neste dia a vida dos meus pais virou de cabeça pra baixo. Nasci de cesaria e minha mãe não teve complicações. Chorei muito e meu pediatra, que me recepcionou no parto, notou algumas coisas que já levaram à suspeita de S.T.: mãos e pés muito inchados (até para uma recém nascida), peso baixo (um pouco mais de 2kg), tórax largo e pescoço alado. Neste mesmo dia me viraram de ponta cabeça, examinaram quase todos os meus órgãos. A cada resultado de exame que chegava era uma prece e um alívio, um a um meus órgãos foram dados como normais!
Depois disso eu fui tratada por dois anos pela maior especialista em Síndrome de Turner de São Paulo. Nos 13 anos seguintes fui atendida na UNICAMP. Lá eu fui tratada com medicação para o hipotireoidismo, reposição hormonal de estrógeno e progesterona e foram 5 anos utilizando o GH. Os médicos até hoje não conseguem acreditar no que veem quando me atendem, pois eu tinha tudo para ser muito debilitada, mas sou uma das meninas Turner com o cariotipo mais clássico que eles viram e que está em melhores condições de saúde.
A minha educação sempre foi muito aberta quanto às minhas curiosidades sobre a minha condição, sem tratamento especial por parte dos meus pais.
Quem está lendo pode pensar que eu tive uma vida cor de rosa e que meus pais são super evoluídos, mas isso se deu até eu entrar na escolinha, perto dos meus 4 anos. Aí o bullying deu as caras. Aos 7 anos fui alfabetizada. Estudei em uma escola particular e que se coloca como inclusiva, mas eu fui a primeira aluna especial deles e foi punk para os dois lados.
Aos 15 anos eu tive minha carta de alforria da UNICAMP, que dia!!! Mas durante a adolescência o bullying se tornou mais intenso e fui sendo cada vez mais excluída das atividades escolares. Aos 17 anos dei um tapa na cara de todos, pois passei no vestibular com o dobro da nota de corte para entrar na faculdade.
Aos 21 anos tive minha primeira crise de pânico. Aos 22 anos fui diagnosticada com depressão e síndrome de Hashimoto (outro nome para o hipotireoidismo). E chegamos a hoje. Estou com 23 anos, cursando o último ano de faculdade de fisioterapia pela UNIARARAS. Fiz duas iniciações científicas, sem nenhuma reprovação ou dependência!
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