Eu, uma mulher com Síndrome de Turner, não poderia ter deixado de me sentir impactada pela peça de teatro E.L.A., da atriz, produtora e diretora Jessica Teixeira. Ela tem uma deficiência física causada por problemas na sua coluna. Jessica é extremamente talentosa e tem uma presença de palco incrível. Ela é uma grande artista.
Durante
a peça a atriz fala sobre o seu próprio corpo na terceira pessoa,
Ele. Na verdade quem não estranha o seu próprio corpo? A peça traz
elementos autobiográficos, informações sobre a composição
química dos corpos humanos e relembra os ideais de beleza e de saúde greco-romanos (a "simetria", "mens sana in corpore sano"), assim como o extermínio de pessoas com
deficiências físicas ou problemas mentais, realizado pelos
nazistas. A nossa sociedade doentia, com a ditadura dos “padrões
estéticos”, o capacitismo, o etarismo e a ilusória busca da
“saúde perfeita” continua matando pessoas. A anorexia e a
bulimia são doenças que matam e a depressão leva ao
suicídio em casos extremos. A procura por cirurgias plásticas é grande e há aqueles
que exageram, realizando vários procedimentos. Sabe-se que qualquer cirurgia apresenta riscos. Estes fatos são sinais da loucura da sociedade moderna.
O texto da peça traz uma frase impactante da mãe da atriz: “Você não sabe a dimensão do que significa estar viva.” Ela ressaltou que isto se aplica a todos nós. Eu chorei, pois cerca de 98% dos fetos com Síndrome de Turner não sobrevivem até o final da gestação. Fiz questão de dar um abraço na Jessica depois que a peça terminou.

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